Heróis?! - 2

Continuação daqui
Numa pequena mesa, cartas na mão, os comandos «superiores» fingiam não escutar as «bocas» daquele médico feito «major», que os «operacionais» tinham como grande amigo.
A proximidade da época natalícia, e do fim do ano tornavam o ambiente ainda mais tenso que o normal. Toda a companhia preparava a sua festa de Natal. A «Companhia Macaca» com um pinheiro, símbolo clássico lá longe, na terra, e a que os soldados africanos aderiam, colocado no meio da caserna, criou o ambiente possível para esquecer, ou pelo menos, tentar amenizar as saudades, uma vez mais, exactamente naquela que é por todos considerada a festa da família.
Todos falavam na esperança do regresso breve, pois nos primeiros dias do ano novo, a comissão de serviço chegava ao fim. Ao mesmo tempo, não se conseguia esquecer «aquele que dormia naquela cama», e o outro «que ficava aqui junto da árvore de natal», ambos tombaram nesta maldita guerra; e outros que tiveram de regressar mais cedo, com marcas físicas, para sempre. E a hipótese, quase realidade, de algum ainda vir a cair no tempo de serviço que ainda restava cumprir.
Os comandantes sentiam a tensão vivida à sua volta. Havia que combater. Intensificavam-se as saídas de grupos de combate para o mato, uma das formas de aproveitar a agressividade que em certos momentos mais se apoderava dos soldados. Por outro lado, iniciaram-se os preparativos para organizar um festival de Natal. Falava-se na vinda de cantores e músicos.
Uma operação de envergadura de apoio a uma coluna logística que vinda de Nampula e se destinava lá bem ao Norte – Mocimboa do Rovuma – deveria ser comandada pelo capitão desta companhia, a partir de Mueda. Mais de 50 viaturas, entre militares e civis, transportando abastecimentos e material diverso, com o empenhamento de mais de uma centena de homens.
Á medida que os dias de Dezembro se iam sucedendo, a coluna aproximava-se de Mueda e por isso iniciavam-se os preparativos para a receber, e depois levá-la até ao seu destino. Estas colunas, eram o grande drama daqueles que passaram por Mueda e que nelas tinham de participar. Raramente conseguiam chegar ao destino e voltar com o mesmo número de homens que as iniciavam. As baixas, pelos ataques que sofriam ao longo das picadas, e principalmente, os efeitos das minas, antipessoais ou anticarros, marcavam quantos nelas participavam. A tensão vivida em Dezembro era reforçada pela realização desta coluna.Para o capitão, seria a primeira saída «a sério» para o mato. As interrogações acerca do que o esperava eram amenizadas com o conjunto de tarefas a que tinha de responder, desde a escolha dos homens que o acompanhariam, os materiais de guerra que importava levar, as viaturas militares necessárias, etc. etc.
Numa pequena mesa, cartas na mão, os comandos «superiores» fingiam não escutar as «bocas» daquele médico feito «major», que os «operacionais» tinham como grande amigo.
A proximidade da época natalícia, e do fim do ano tornavam o ambiente ainda mais tenso que o normal. Toda a companhia preparava a sua festa de Natal. A «Companhia Macaca» com um pinheiro, símbolo clássico lá longe, na terra, e a que os soldados africanos aderiam, colocado no meio da caserna, criou o ambiente possível para esquecer, ou pelo menos, tentar amenizar as saudades, uma vez mais, exactamente naquela que é por todos considerada a festa da família.
Todos falavam na esperança do regresso breve, pois nos primeiros dias do ano novo, a comissão de serviço chegava ao fim. Ao mesmo tempo, não se conseguia esquecer «aquele que dormia naquela cama», e o outro «que ficava aqui junto da árvore de natal», ambos tombaram nesta maldita guerra; e outros que tiveram de regressar mais cedo, com marcas físicas, para sempre. E a hipótese, quase realidade, de algum ainda vir a cair no tempo de serviço que ainda restava cumprir.
Os comandantes sentiam a tensão vivida à sua volta. Havia que combater. Intensificavam-se as saídas de grupos de combate para o mato, uma das formas de aproveitar a agressividade que em certos momentos mais se apoderava dos soldados. Por outro lado, iniciaram-se os preparativos para organizar um festival de Natal. Falava-se na vinda de cantores e músicos.
Uma operação de envergadura de apoio a uma coluna logística que vinda de Nampula e se destinava lá bem ao Norte – Mocimboa do Rovuma – deveria ser comandada pelo capitão desta companhia, a partir de Mueda. Mais de 50 viaturas, entre militares e civis, transportando abastecimentos e material diverso, com o empenhamento de mais de uma centena de homens.
Á medida que os dias de Dezembro se iam sucedendo, a coluna aproximava-se de Mueda e por isso iniciavam-se os preparativos para a receber, e depois levá-la até ao seu destino. Estas colunas, eram o grande drama daqueles que passaram por Mueda e que nelas tinham de participar. Raramente conseguiam chegar ao destino e voltar com o mesmo número de homens que as iniciavam. As baixas, pelos ataques que sofriam ao longo das picadas, e principalmente, os efeitos das minas, antipessoais ou anticarros, marcavam quantos nelas participavam. A tensão vivida em Dezembro era reforçada pela realização desta coluna.Para o capitão, seria a primeira saída «a sério» para o mato. As interrogações acerca do que o esperava eram amenizadas com o conjunto de tarefas a que tinha de responder, desde a escolha dos homens que o acompanhariam, os materiais de guerra que importava levar, as viaturas militares necessárias, etc. etc.
Etiquetas: Cart 3503, checas, Guerra Colonial, Moçambique, Mueda
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